Revisão pós etapa

Disputar uma prova por etapas é o sonho de todo competidor de maratonas de mountain bike. Competições como a Volta a Santa Catarina em MTB, Cerapió, Piocerá, Brasil Ride e Power Biker são alguns exemplos desse tipo de prova no Brasil.

Além dos cuidados com o próprio bem-estar físico, o competidor deverá cuidar de sua bike para que no dia seguinte tudo esteja em perfeito estado para mais uma etapa.

A prioridade deve ser dada para a transmissão (corrente, coroas e cassete), cabos de freio e câmbio. A suspensão também deve receber atenção especial.

O ideal é iniciar a revisão o mais breve possível após cada etapa, pois o biker terá mais tempo de solucionar eventuais problemas como pneus furados, suspensão travada, roda empenada, sapatas de freio gastas, raios quebrados etc.

Mecânico João Maria, da Martini Bike Shop

O mecânico João Maria (FOTO), da Martini Bike Shop, de Itu (SP), profissional desde 1989 e mecânico oficial da equipe Elite Bike em três edições do Iron Biker, ensina:

“A bike pode estar imunda, desde que a transmissão esteja bem limpa. O ciclista é o motor da bike. Se a transmissão não estiver funcionando 100%, a força motriz produzida pelo biker não vai chegar às rodas como deveria”.

Os procedimentos abaixo foram elaborados para competições de mountain bike, mas servem também para as provas de ciclismo por etapas.

LIMPEZA

O fundamental é manter limpos e lubrificados os componentes da transmissão. Entretanto, uma bike completamente limpa, além de ser mais apresentável na largada do dia seguinte, vai causar boa impressão aos adversários e ao próprio ciclista. Não é em vão que nas grandes equipes há um responsável somente pela limpeza das bikes dos atletas da Elite.

O primeiro passo é encontrar um local tranqüilo para a revisão. Pode ser no pátio externo do hotel, no estacionamento, na calçada ou até mesmo no interior do quarto do hotel.

João Maria aconselha começar a limpeza pelos cabos do câmbio, depois as suspensões, a transmissão, pedais e o disco de freio. O quadro vem por último.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:

* Panos secos e limpos
* Escova para o cassete (pode ser escova dental)
* Óleo para corrente
* Óleo em spray do tipo WD-40
* Silicone em spray do tipo usado em painéis de automóveis
* Desengraxante
* Água

CABOS DE CÂMBIO

Coloque o câmbio traseiro na maior catraca do cassete e o câmbio dianteiro na maior coroa. Em seguida, sem girar as rodas, acione a alavanca do câmbio e desça todas as marchas. A idéia é afrouxar o cabo e criar uma folga para permitir a remoção do cabo dos encaixes do quadro para a limpeza e lubrificação.

Com o cabo solto, limpe-o com um pano seco e lubrifique-o em seguida com o mesmo óleo que se lubrifica a corrente. Repita a mesma operação no cabo do câmbio dianteiro e monte tudo novamente.

SUSPENSÕES

Em provas sob chuva, evite que a lama seque nas canelas da suspensão e as partes expostas do amortecedor traseiro no caso das bikes full suspension. Normalmente a simples limpeza com um pano seco dá conta do recado. Capriche na limpeza na região do retentor.

Caso as canelas estejam enlameadas, aplique o óleo WD-40 e seque com um pano. Para mais eficácia, aplique um pouco do spray de silicone nas canelas.

TRANSMISSÃO

Primeiramente examine o estado dos componentes da transmissão. Uma prova disputada sob chuva e com muita lama (Volta a SC em MTB, por exemplo) vai exigir mais atenção na limpeza que uma bike que rodou em terreno seco e com poeira (Power Biker e Cerapió, por exemplo).

Bikers mais experientes poderão abrir a corrente e retirá-la da bike para uma limpeza mais detalhada e eficiente. O uso do elo do tipo “Powerlink” – vendidos avulso nas boas bike shops – facilita bastante a vida nessas horas, pois dispensa o uso de ferramentas para abrir a corrente.

Se a corrente estiver com muita lama, o ideal é que seja lavada primeiramente com um desengraxante do tipo citrus (vendido nas boas bike shops) e enxaguada posteriormente com água corrente.

Correntes empoeiradas podem ser limpas com a simples utilização de um pano seco.

A seguir limpe o cassete e a coroa com uma escova de cerdas duras. Na falta de uma escova apropriada, uma escova de dentes resolve o problema.

Se houver acúmulo de barro no câmbio, aplique o óleo do tipo WD-40 e remova a sujeira com um pano seco.

Após a limpeza dos componentes da relação, lubrifique a corrente com paciência. Veja matéria que traz dicas importantes de como lubrificar corretamente corretamente.

O mercado oferece opções de kits de limpeza, que facilitam bastante a tarefa. Alguns já trazem o desengraxante e a escova incluídos.

OUTROS COMPONENTES

Limpe também outros componentes importantes como o pedal de encaixe, e aplique uma leve camada de lubrificante para correntes na superfície onde vai encaixado o taquinho da sapatilha.

Se a bike tiver freio a disco, limpe os rotores com um pano seco ou se preferir com água e sabão neutro.

QUADRO

Após a limpeza dos componentes é a vez do quadro. Um quadro limpo sempre causa boa impressão na largada e estimula o competidor.

A lavagem da bike com água corrente é sempre o mais indicado, porém, se o hotel não oferecer essa facilidade existem outras maneiras de se fazer a limpeza.

Se a prova foi em terreno lamacento, limpe o quadro com um pano ou uma escova macia antes do barro secar, tomando o cuidado para não riscar a pintura.

Aplique na pintura um spray de WD-40 e retire o excesso com um pano seco. Em seguida, aplique um spray de silicone e seque com outro pano seco. A pintura vai ficar nova e não vai atrair poeira.

REGULAGENS FINAIS

Com a bike toda limpa e lubrificada, é a hora de verificar o perfeito funcionamento de todos componentes para evitar dores de cabeça na etapa do dia seguinte.

Improvise um cavalete – isso pode ser feito pendurando-se o selim da bike em uma madeira, por exemplo – e gire as rodas da bike e efetue várias mudanças de marcha e regule o câmbio se necessário. Se não souber regular o câmbio, peça ajuda.

Verifique o estado das sapatas de freio, ou da pastilha do freio a disco, especialmente em terrenos lamacentos. Se for necessário, faça a substituição.

Observe a banda de rodagem dos pneus com atenção. Procure por espinhos, vidros, pregos ou qualquer corpo estranho que possa ocasionar um furo. No caso de pneus de bikes de ciclismo, essa verificação deve ser minuciosa e feita com atenção redobrada.

Condições severas de utilização podem ocasionar o vazamento de ar de suspensões e amortecedores traseiros pneumáticos. Cheque a pressão e recalibre caso seja necessário. Se não tiver a bomba apropriada, empreste de algum competidor.

Verifique com atenção o estado das rodas, com atenção especial para os raios. Se algum deles estiver quebrado, substitua-o ou procure ajuda de algum expert.

Confira o aperto geral dos parafusos, em especial o do pedivela, pedais, canote, guidão e mesa.

Evite surpresas na largada do dia seguinte e antes de cair no sono e recuperar as forças para o próximo dia, verifique novamente os pneus. Furos muito pequenos levam muito bastante para murchar os pneus.

Finalmente, deixe tudo pronto para a etapa do dia seguinte: roupas de competição separadas, ferramentas, camelbak ou caramanholas abastecidas, alimentos da prova etc.

A única preocupação de um competidor no dia da corrida deve ser em fazer a melhor prova possível.

Colaborou:
João Maria – joaodinetro@gmail.com
Martini Bike Shop – Itu, SP
Fone: (11) 4022-3836

*Artigo gentilmente cedido por Marcos Adami do Bike Magazine.

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